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O que é o Larica Total? | o ator Paulo Tiefenthaler | Paulo de Oliveira
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O que é o Larica Total?

Atualização mais recente 2010-05-19 22:52:58 GMT. 10 comentários. Topo.

Larica Total é uma sátira aos programas de culinária convencionais e a todas as idéias anteriores de se fazer um programa de televisão sobre isso.

Larica Total é um programa sobre um cara chamado Paulo de Oliveira que faz seu próprio programa de culinária chamado Larica Total.

Paulo de Oliveira acredita que o Larica Total vai lhe tirar do sufoco e ele segue firme na idéia do programa. Convenceu um pessoal, juntou um cascalho, pisou no rec e agora solta as suas receitas da verdade no mundo da televisão. No talento, no limite do despreparo, num ato de quase irresponsabilidade, Paulo mergulha nas cores da birutolândia audiovisual com a sinceridade e a moral de quem já está nessa chuva há muito tempo, se molhando. E Paulo, completamente encharcado de realidade, exerce o seu direito de criar livremente. Todos tem os seus direitos. Paulo também tem. E o Larica Total é a prova disso.

As receitas são totalmente baseadas na realidade da geladeira brasileira do trabalhador limite. Brasileiros guerrilheiros de todas as cores, lutadores do audiovisual, garimpeiros do sistema financeiro, explorados pelo magistério, mágicos do mercado popular, hipnóticos das lojas de peruca, sonhadores da faculdade distante, solitários dos bares da esquina, feios da festa de lindos, puxadores do samba de tarde. Os homens e as mulheres da necessidade, da ausência, do improviso do Brasil.

É do improvável, é do mínimo possível, é do possível fundamentalmente, que surgem os ingredientes da resitência. Recuar, resistir e avançar! Nada de faisões, trufas ou fungos australianos; nada de limões vietnamitas, sodomitas, pat-psi-moritas ou carnes de planta; nenhum peixe-pedra de bissau, nem outras raridades psico-sofisti-palhaçadas de carinho.

No Larica Total, Paulo apresenta as pérolas da gastronomia da vida, do mostruário da exceção, os grandes clássicos da culinária de guerrilha, pratos extraídos bravamente dos valiosos e ancestrais conhecimentos da sobrevivência popular. Frango-totalflex, moqueca de ovo, sanduíche de tempero, misto-quente gratinado, yakisobra, hamburguer caseiro, sushi de feijoada e quantos mais.

Afinal quem já não passou por situação falimentar? Quem não tem uma receita da larica total? Aquela receita da madrugada, chovendo; do sábado à tarde, pós-prancha; aquela receita rápida da segunda seis da manhã, neurótica; aquela combinação estranha; aquele prazer secreto, quem não tem? Quem não tem?! Todo mundo tem.

Paulo também. E desses desejos, ele fez um programa de televisão. Não é assunto digno?

Paulo faz do programa sua vida. A pelada na faculdade, a louça suja, acumulada, um porre daqueles rastejantes, delirantes, humilhantes, uma operação promoção no mercado, um incêndio na cozinha, uma paixão na sala, um tio distante na porta, uma noite fora de casa, um vazio pela manhã. Porque todo mundo tem o direito de errar e amar na vida. E mais de uma vez.

Quem não erra, não queima. Quem não chora, não ama. E Paulo chora. E Paulo queima. Quem não chora? Quem não queima?

Paulo já amou, já queimou, já raspou e já comeu. E já refletiu sobre o tema e nunca mais esqueceu. É filosofia aplicada. É a materialização do amadurecimento ali na hora.

E você vem junto, aprendendo enquanto ele aprende. Repete, mostra, antecipa, acerta, atropela, volta, erra e improvisa. Paulo confessa e não sente culpa de nada, pois espera, no mínimo, responsabilidade dos seus telespectadores. No mínimo! Ouviram? No mínimo.

Alegria, jogo aberto, carinho, solidão, cada um na sua individualidade, todo mundo na nossa coletividade. Não me enche, não se culpe, somos todos iguais, sentimos todos diferentes. Estamos juntos.

Pois do outro lado da tela do Larica Total, Paulo nos vislumbra. Nós, uma legião de homens, mulheres, velhos, jovens, crianças, plantas, frutas, lixos, ricos, imbecis, anônimos, expostos, malucos, amaldiçoados, drogados, prostituídos, tarjas-preta, doentes, impotentes, valentes, biscates, sinceros, donzelas, cavalos, princesas, formigas e espirituais.

Nós, a legião dos vivos, dos vivos fundamentalmente. Reais, valiosos e únicos. Ansiosos, famintos e dispersos. É para nós que o Larica Total brilha intensamente.

Larica Total é um programa dentro de outro programa. O programa das receitas improváveis, da cozinha verdadeira, das frases de triplo-sentido e dos resultados possíveis. A metalinguagem do clichê. O retorno da vanguarda. O atraso da modernidade. Quem não entende, um abraço.

Porque independente da expectativa e do padrão e da crítica, Paulo vai defender as receitas da única cozinha que conhece: a cozinha do possível, a cozinha da verdade, a cozinha da guerrilha.

Porque você sabe que, na verdade, nada é verdadeiro.

Xablabláu!

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Quem é o ator Paulo Tiefenthaler

Atualização mais recente 2008-11-23 01:58:00 GMT. 28 comentários. Topo.

Paulo Tiefenthaler, 40, nascido em 1968 na Suíça, canceriano, carioca-criança do Posto 6 de Copacabana, carioca-adolescente do Arpoador, criado no Rio de Janeiro desde os 10 dias de vida, formado em teatro e jornalismo, cineasta, editor e fotógrafo.

Começou no teatro profissional pelas mãos de Hamilton Vaz Pereira (Astrúbal Trouxe o Trombone), um dos fundadores do grupo dirigido por Antonio Abujamra, “Os Privilegiados” do qual foi integrante por cinco anos e trabalhou com Domingos Oliveira na montagem “A Alma Boa de Setsuan” de Bertolt Brecht.

Sua estréia na TV foi como roteirista e assistente de direção no jornalístico “Documento Especial” na extinta Rede Manchete com direção geral do Nelson Hoineff.

Dirigiu e fotografou o premiado documentário JORJÃO, sobre um dos mais polêmicos mestres de bateria do Rio de Janeiro e participou da equipe de edição das três primeiras edições do Big Brother Brasil.

Como ator atuou recentemente nos filmes de curta-metragem: “Trópico das Cabras”, dir. Fernando Coimbra (Melhor Filme no Festival de Brasília 2007), “A Festa Que Caiu do Céu”, dir. Karen Akerman (Ganhador do Edital de Curtas do MinC), e “Novela Vaga”, dir. Beto Valente e Dado Amaral. Com o curta “Uma Noite Qualquer” dir. Gustavo Acioli (2001) recebeu o prêmio de melhor ator no 8º Festival de Cinema de Vitória.

Atualmente protagoniza o programa LARICA TOTAL, dirige os documentários “A Dança do Samba” e “O que é ser homem no Rio de Janeiro?”. Como editor está em fase final de montagem do DVD dos Sertões, montagem teatral do grupo Oficina dirigido pelo José Celso Martinez Correa a partir do livro “Os Sertões” de Euclides da Cunha.

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Quem é Paulo de Oliveira?

Atualização mais recente 2008-11-23 01:54:24 GMT. 25 comentários. Topo.

Paulo de Oliveira, 35, áries, nascido em 1973 em Copacabana, filho de militar já morto, mas de velhice mesmo, deixou uma grana que acabou da acabar, mãe viva e cinco irmãs que ele ama. Criado no Posto 4, jogava muita peteca na praia de Copa com os coroas e chegou mesmo a ser campeão.

Formado em veterinária que nunca exerceu, jogou futebol naquele time de futebol de praia do Júnior do Flamengo durante um tempo curto como reserva, mas diz que jogou muito ao lado do craque rubro-negro. Na verdade, ficava a maior parte do tempo tirando fotos dos jogos para um extinto jornal de Copacabana (aqueles jornais tablóides gratuitos) editado por uma tia solteirona pegadora que foi a musa dele no Mariuzin, o primeiro.

Em casa ele guarda fotos na parede com o Zico e Júnior e, claro, uma foto com a tia que já morreu, mas das primas não!

Uma mulher mais velha mudou a sua cabeça e assim ele descobriu a filosofia grega e a meditação nas pedras do Leme, onde ia com ela. Essa mulher foi embora e ele não conseguiu mais casar. Quer ser pai e está pensando em adotar um filho com uma das primas.

Hoje ele ganha dinheiro alugando bugres para turistas estrangeiros e brasileiros, além de outras paradas que ele nunca diz o que é… Batalha no audiovisual há cinco anos, desde que ganhou uma câmera de 1 ccd da Tec Toy.

Tá com o programa agora, que é uma oportunidade de ouro, convenhamos.

E pra Paulo o Larica vai, ou vai. Porque rachar, meus amigos, Paulo já rachou há muito tempo.

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Paulo em setembro 18, 2008