Hambúrguer Você!
Amados do meu Brasil, o papo hoje é sobrevivência. Hoje não, sempre, sempre, sempre, sempre, mas hoje é mais um capítulo. Um épico amazonense pelos rios da dificuldade. Uma ode apocalíptica ao destino da humanidade. Um triunfo emergente das redes da confusão. Minha avó já dizia: as dificuldades são mães da invenção, meu filho. Minha vó era uma fofa, mas agora eu é que preciso dizer uma coisa pra ela: vózinha, beleza, isso é sábio, feroz, veloz, atroz, mas putz, tô tendo que inventar pracacete. Mas não sem alegria, vovó! Isso nunca, jamais.
No momento tem duas coisas principais acontecendo: uma absoluta falta de tempo pra fazer tudo que eu quero, inclusive escrever aqui, uma vontade muito grande de botar o Larica de pé, sustentar ele, e um inverno monetário que não deixa dúvida em nenhuma previsão do tempo. Mas tem uma coisa que tá me ajudando, que tá me fazendo pensar: brother, deu merda no mundo inteiro, neguinho exagerou, quebrou a banca, quebrou o mercado e endividados estamos todos nós. Essa avidez descontrolada de poder e dinheiro deu nisso, meu querido. E agora? Agora? Agora relaxa e vai. Esse é momento. Sabe aquela parada que você acredita e ninguém dá bola porque o mundo é assim e assado? Agora não é mais assim e assado, agora é do seu jeito!
Sejamos polvos e polvas, estendamos nossos tentáculos para todos os lados, abracemos nossa causas mais verdadeiras. Sejamos homens, mulheres, vedetes, loucos, lindos, gatos, bravos! Sejamos!
Nossos lemas de hoje: firme na rocha, cai pra dentro e fica peixe. O lance é agarrar as oportunidades, mas você provavelmente não vai conseguir pescar todas de uma vez. Não é assim que acontece e você sabe disso. Então começa pegando uma de cada vez. Aí você treina e com o tempo acaba pegando muitas mais. Cozinha é treino, a vida é treino.
Tava eu no Centro, cheio de fome, passei em frente àquela rede de cozinha-rápida- mundial-decacente que te vende um sanduíche muito diferente do que você vê na foto, te trata de uma maneira muito diferente do que você vê no comercial, te faz aumentar de tamanho duas vezes e ainda te cobra uma grana preta. Passei direto. E também pensei, que dia é hoje? Onde estou? Hoje é quarta-feira e eu estou no Centro. É isso, também pensei, promoção no mercadinho lá perto de casa! Seus problemas se acabaram, Paulo.

Posicionamento perfeito. Relaxa o quadril. Uma boa oportunidade exige que você esteja bem colocado.
Mas tem sempre um mas, e aí que eu fiquei com bico de hambúrguer e ia ter que convencer meu amigo locutor a liberar os ingredientes necessários à minha promoção global: Hambúrguer Você, combo, por apenas 3,99, especialmente desenvolvida para os guerreiros da fome. Não havia nada que me fizesse parar.
Lá estava eu passeando pelos corredores do mercado, a promoção ainda não tinha começado, dei uma sacada geral na situação das carnes, meu item mais caro, e na localização dos víveres, porque mercado também te engana, muda tudo de lugar de um dia pro outro e você sabe pra que? Pra te atiçar, pra acordar aquele monstrinho que mora em você chamado consumismo. Não caia nessa. Vai só na promoção.
E lá fui eu. Laranja Quican, 2, 99, Ovos brancos, dúzia, alguma coisa noventa e nove, feijão preto, 2,99, fralda, 2,89 pacote com vinte, fralda? Talvez. Mas e a carne, meu camarada? Até agora, nada de carne e meu joelho estourando, meu pulmão colando, meu suor escorrendo. Pra nada. Aliás, mais dois detalhes da estratégia do guerreiro: cuidado com as curvas das gôndolas, elas são fechadas e não foram preparadas pra verdadeira corrida da sobrevivência, mas não desanima, corre tudo que puder que você chega lá. Segunda dica: use o seu supermercado como academia. Olha só quantas oportunidades surgidas da nossa necessidade. Se você não tá podendo pagar aquela academia e além de tudo apresenta, antes de você, aquela barriguinha marota, faz que nem eu: só compra em promoção.

Aqui eu tava nervoso, eu tava disposto, eu tava perdendo peso. Cuidado só na curva, ela pode te prejudicar.
Voltando às vacas magras, as promoções na verdade são chances disfarçadas de comida e por isso eu não podia perder a minha, de jeito nenhum. Fui lá. Batalhei. Enchi o saco do meu amigo, me arriscando inclusive a perder ele e essa outra oportunidade que é ter amigo locutor de promoção em supermercado. Eu realmente me esforcei e aí eu finalmente ganhei, guerrilheiros. Alcancei meus objetivos mais nobres: file mignon, olha que luxo, todo moidinho pra nós. Vitória. Vivas, vivos, estamos vivos e vamos comer uma comida que não é muito fast, é média, mas é boa também. É melhor que a dos fast-food-drive-through e, além de tudo, você não vai precisar ser esculachado pelo monopólio mundial da comida apressada, despersonalizada, abobalhada, mas muitas vezes também gostosa. Hoje quem vai fazer o seu hambúrguer vai ser você mesmo. Um autêntico Hambúrguer Você! Na velocidade que te der na telha.

Minutos antes da vitória, momentos de tensão. A carne tava fugindo, o monopólio mundial tava me vencendo.
E vamos aos ingredientes porque apesar de não querer ser fast, eu agora tô com pressa, eu agora tô com fome.
Ingredientes:
Sempre, sempre, sempre pro resto da sua vida, o sal. O que faz tudo virar comida.
Molho inglês, pimenta do reino, ketchup e mostarda, maionese. Maionese pode ser polêmico, cuidado com ela, ainda mais no verão. Com relação ainda aos ingredientes é sempre bom repetir, repetir fixa, mas vou repetir diferente: pensa que os ingredientes são seus Legos e por isso você pode fazer com eles o que quiser. Escolhe suas peças, lembra da sua infância, encaixa, se ficar ruim desencaixa, faz de novo. Invente você mesmo o seu próprio brinquedo comida.
A carne, nossa estrela promocional do dia: não pega aquela carne já moída, pálida, arrasada e abandonada na gôndola, pede pro seu brother do balcão moer na hora pra ela ficar vermelhinha, vivinha, esplendorosa. 500 gramas de carne dá pra 04 belos hambúgueres. Tá bom pra você? Pra quem não conhece carne pode ser chã ou patinho, mas como aqui não tem regra pode ser também do que você quiser. Peixe, camarão, queijo de soja, milho, abobrinha com centeio . E se der certo, lembra: manda a receita pra cá.
Metade da sua carninha você coloca na geladeira. Uns 10 minutos. A sua geladeira tá velha, é nova, é turbo, é standard? Avalia aí a sua geladeira e assim você pode calcular melhor o seu tempo. Depois você tira essa parte da geladeira e mistura com a outra parte que você não deixou na geladeira. Atenção, você não deixou, mas se deixou, começa tudo de novo que dessa vez vai funcionar. O truque é que a diferença de temperatura entre elas vai fazer com que as carninhas colem, fique juntinhas. Partículas de carninhas quentes e geladas se aproximando, se amando, se juntando.
Mexer na carne é uma delícia. Mas não exagera na brincadeira, não se empolga excessivamente. Porque aí a carne vai esquentar demais, pode estragar. Se liga no ritmo.
Depois do seu idílio com a carne você tem que temperar ela. Sal, pimenta do reino. molho inglês, ketchup. As quantidades são individuais, elas te pertencem, no programa é uma pitada pro sal e pra pimenta, um chuá pro molho, um totozinho de ketchup, um totozinho de mostarda. Da boa ou da ruim. Serve qualquer uma. Aí você divide em quatro a carne temperada, pega uma, pousa na sua mão e parte pra moldagem. Explora a moldagem da tua carne, curte, cria um formato de hambúrguer que seja a sua cara.
Acabou de moldar? Uma frigideira. Três fios de óleo bem quente. Não tenha medo de fritar a carne, joga a sua nesse óleo dos infernos e deixa lá.
Tem pão em casa? Vai buscar. O ideal é aquele pãozinho careca de hambúrguer, que eu por acaso tenho. Mas se não tiver, vai qualquer pão, muda a cara do seu hambúrguer, ele pode gostar. Pega esse pão e esquenta ele numa chapa que pode ser outra frigideira ou qualquer pedaço de metal compatível que você tenha por aí.
A carne nesse momento vai estar gritando aí você caminha em direção a ela e vira do outro lado pra que ele grite também. Cuidado com o timing hein?! Você vai ter que repetir a mesma coisa com o pão, mas ele não pode gritar. Se gritar, queimou. E é claro que você já imaginou que, no meu caso, a chapa esquentou. A minha chapa sempre esquenta demais. Meu hambúrguer queimou, mas foi retrabalhado.
Ficou tudo pronto? Senta o hambúrguer no pão e deixe ele lá um pouquinho, relaxando. Enquanto isso, você escolhe os complementos que você quer ou tem, prepara e acrescenta eles. Alface pra dar uma cor, um croc, tomatinho cortado em fatias, ketchup, mostarda, maionese se você for de maionese. Fecha o hambúrguer e não come agora o seu hambúrguer, sabe porque? Porque o Hambúrguer Você é combo. Aqui ninguém tá de brincadeira não. Combo, de combinação, de merecido bônus para o guerrilheiro e a guerrilheira: batatas shakinblau e refrigerante cola, um oferecimento especial de Geninho, o amoral.
Descasca a batata, corta ela no clássico formato batata frita dos seus sonhos, pega aquela fôrma de metal, acho que é tabuleiro o nome, unta ele, mete no pai forno, deixa a batatinha dourar e voilá. O refrigerante cola você arruma.
Agora concentra, respira uma profundidade e dá uma olhadinha pro seu interior. Ele tá bonito o seu interior? Ele tá com fome? Experimente ao máximo os derradeiros momentos de vazio e finalmente entregue seus dentes aos prazeres da carne.
O hambúrguer percorreu um longo caminho para se tornar o que é. Partiu dos tártaros, foi pra Ásia Ocidental, derivou para a Alemanha, dobrou uma esquina em Nova York e hoje está aqui. Na minha, na sua casa. O hambúrguer está no nosso inconsciente e pode ter origens muito mais nobres do que você jamais imaginou. Ele deu um duro danado pra chegar aqui e hoje taí: todo rotulado, empacotado, oprimido e desgastado pela mídia mundial. Hambúrguer Você, o resgate mundial da dignidade intercontinental. Viva nós. Viva voz (não é pronome, hein, é voz, a sua voz) Viva você! Porque cada vez mais nós temos ao menos uma certeza. A de que você foi você mesmo que fez isso. Fora isso, o amor perdurou, a criatividade abalou e o mundo continuou. Beijos grandiosos e até já!
Paulo em janeiro 20, 2009

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Rapeize, lembra que meu monitor tinha parado na curva do batman depois do livro de html e da cuca, quer dizer da coca? Então, fui salvo por Shaolin, Grande João Shaolin!
Paulo, você é gênio.
Na cozinha e na escrita!
Fiz a receita em casa, colocando shoyu ao invés de molho inglês e caprichando bem na maionese (sim, eu sou de maionese)… ficou clássico!
Muito obrigado.
Cara, descobri esse site agora. como assim? a vida inteira precisei de um site desse. rs
po, eu vivo inventando coisas. principalmente molho pra macarrão, simplesmente adoooooro. Lembro que uma vez fiz um Hamburguer Você, que ficou do maaaal. ai ai, saudade dele nesse momento. vou lá na geladeira pegar uma frutinha pq agora to de dieta ¬¬ rs beijos, e adorei o site, queria ter tv a cabo pra poder ver os episódios. =/
Opa, como não como carne e tal, então vim aqui pra dar a receita do hamburguer sem carne.
E sugiro 2 modelos, o de proteína de soja, e o de lentilha.
Se pans esse esquema do quente/frio rola tb, vou testar da próxima, vou até anotar mentalmente de falar pra patroa, pq a memória dela é quem comanda lá em casa.
Mas, antes de saber esse esquema aí, eu ia no comum, pondo a soja, ou a lentilha, já cozida, temperos e tal, numa bacia. E aí mexe, amassa, faz virar massa. E pôe tb tipo 1 ou 2 ovos, pra dá aquela liga, e se pans uma farinha tb… Enfim, faz a parada virar massa, até pq quando se cozinha o difícil é fazer não virar né huahauhua…
Ou faz como tu fez, mas sem a carne, e pra fazer lentilha se comportar como carne bota farinha e ovo, q aí rola.
E come que fica foda, sem medo da aparência fecal. Aproveita que, se é a carne que dá o gosto no teu, nesse caso quem dá o gosto é vc, então capricha no tempero, pq soja não tem gosto de porra nenhuma.
É isso aí, e cara, animal teu site, vou ver o programa q ainda não vi. E sobe de novo o antipropaganda pô, ainda não tinha lido tudo do baralinho hehe…
E manda mais umas vegetarianas aí, q mano, vo te falar, não tem nada mais foda que ser vegetariano de ressaca ou com larica…foda mesmo, pergunta por aí q vc comprova.
nóis, abrass
a parte cozinha é boa
a parte branquinha … devagar e sempre …