Eu tenho história, você tem história, as coisas tem história e aqui é pra gente contar a história do que quiser, do que tiver curiosidade, do que achar bonito, do que achar feio, enfim. Pode ser de gente, de coisa, de comida, de mulher, o mais importante é contar a história. Cada um no seu estilo, cada um no seu flow.
Lembra do Hendrix: “are you experienced”? Você é rodado? Quem é rodado tem mais história, mas isso também não tem nada a ver. O importante é falar, botar pra fora, conhecer a fundo a origem das coisas que você gosta. Isso vale. Vem comigo. A vida é uma caixinha de surpresas e só descobre quem quer. Me dá a mão e vamos juntos. A informação liberta. Manda a sua história também, fala comigo. Se achar que tá errado, fala também. Eu não sou o dono da verdade, eu só fiz essa seção no site porque achei bacana, interessante, tem a ver com o programa, dá uma divulgada e a gente se diverte. Aqui é pra isso.
Paulo menino ou pequeno paulinho e as férias em jacarepaguá - Parte 1
Atualização mais recente 2008-11-28 04:44:22 GMT. 0 comentários. Topo.
Todo mundo tem recordações fantásticas da infância e normalmente essas são as melhores histórias de nossas vidas (nunca sei quando usar estória, acho que na verdade prefiro a palavra história, dá um peso, traz uma importância pra história. tá vendo, estória parece lorota, história parece coisa séria).
Começando de novo, minha infância foi temperada por passeios de bugre com tio mossy e papai em maricá (cidade provedora das deliciosas cocadas maricá, merece um especial no programa), o papo na cozinha das minhas tias, o gato mia com minhas primas no quarto da minha vó, a sarradinha durante o os trapalhões com as outras primas enquanto meu avô cochilava na sala e as muitas férias que passei na casa de um tio que morava em jacarepaguá, lá era festa: bola na rua, pião, pipa e bolinha de gude, pique-cola americano, churrasco no domingo, carniça, garrafão, a vizinha coroa e tarada, lendas de fantasmas, a velha maluca, os vizinhos te gritando na porta de casa, os apelidos fantásicos (os apelidos valem mais um dois pontos): tatiana sabonete, leandrinho do mega, dedê e dedê sutenido, marcelo que falava muito “mas bem” que virou marcelo marbem que virou só marbal, mecríude, capacete do ayrton senna (eu), numbigo (um moleque que nervoso por ter sido desafiado para uma briga falou “eu num bigo”), pajé pajezinho e curumim (três irmãos), he-man (que era negro), bisnaga, chupp, piaçava (posteriormente só pia), márcio radical, dudu roll, proveta (que era feio), carla nilza (uma menina chamada carla que ganhou o sobrenome como apelido por semelhança física) e continua numa longa lista. Todos com idade entre 12 e 14 anos.
Após uma introdução longa pra caralho vem a história de verdade, que não tem nada a ver com os apelidos. Certa vez titio, que tinha uma caravan verde oliva pintada com tinta perolizada, rodão com calota elegante, o carro familiar perfeito da época, na época em que ainda dava pra comprar carro, na época em que carro não custava apenas 35 mil reais e o pessoal podia namorar na praia (entre vírgulas grande pra caralho, parênteses pra caralho no texto também), titio me chamou pra ver matar um porco.
isso aí, imagina, você moleque descobrindo o mundo, seu tio te chama pra ver um abatimento de verdade, igualzinho aos da fitinha vhs do faces da morte que o vizinho levava na sua casa.
- Paulinho, titio vai mandar matar um porco, quer ver?
- Pode? não vou ficar com medo?
- Tô te chamando porque pode.
- Demorou.
Chegando lá não tive coragem de ver o porco ser morto porque no caminho meu tio me explicou como seria o abate a achei melhor manter o almoço no estômago. Mas na volta percebemos que o bicho era grande demais e não caberia na mala, a solução seria deitar o banco de trás e baixar o do carona para o corpo caber no carro. E onde eu iria? ao lado do defunto. Até aí tudo bem, era um porco morto, já tinha visto leitão, o problema era a estrada de barro. A cada solavanco do carro, o pulmão do porco ainda cheio de ar era pressionado e o mesmo cadáver emitia um grunhido assustador: ããããããhhhhhrrrrrnnnnn. No almoço do dia seguinte fiquei no arroz com feijão e batatas coradas.
Tá, a história não é tão boa mas foi apenas a introdução a esse universo fantástico e improvável nos dias de hoje que era a jacarepaguá da década de 80. e vocês? já viram um abate de alguma espécie? são de jacarepaguá? conhecem a casa na freguesia que tinha um leão? falem! dividam.
Até hoje fico meio cabreiro de comer carne de porco porque geme igual gente.
História do Arroz
Atualização mais recente 2008-10-31 19:47:35 GMT. 7 comentários. Topo.
Eu achei que a história do arroz era bobinha, mas nem é. A lan house tá cheia, não dá pra pesquisar muito e achei bom falar do arroz direto. Como tudo que tem história também tem antiguidade, o grãozinho é ancestral, de muito antes que novecentos e blau, mas a grande surpresa mesmo é seu nome verdadeiro, verdadeiro não porque arroz também é de verdade, mas digamos, seu nome científico é tchan tchan tchan, tambores, bandinha de música, um, dois, três e xablabau:
Oryza Sativa, Oryza Sativa, Oryza Sativa. Mantra lindo.
Uma velha conhecida a família Sativa, muito respeitada, há séculos fornecendo alimentos mágicos para a população mundial. E eu tô falando de arroz, que não é nem o baiano nem o carioca, é o mundial que veio, parece, da Ásia. Tem sempre um “parece”, notou? Mas isso é bom, ninguém tem o direito de ter certeza absoluta de nada, nem eu. Absoluto não existe, absoluto é muita marra.
Quem chamou de arroz primeiro foi um espanhol e era “aruz”. Faz biquinho e fala: aruz. Hasta luego, hasta la vista. Achou que eu ia embora? Vou não, paguei 15 minutos e vou até o talo.
O arroz no Brasil, adivinhem quem foi? Dou uma, duas, três, pensa logo, foi o nosso querido Pedro Álvares Cabral. Achou que ia se livrar de Cabral? Achou que ia abandonar ele nos bancos da tua escola? Não, caríssimo e caríssima, aí está ele introduzindo o arroz nas terras tropicais e esse conhecimento na tua vida. Foi Cabral quem fez isso. Cabral tinha um medo que se pelava de índio. Foi logo agradando.
Mas, tem mais um mas, o poderoso combustível da relatividade fugaz do impacto mundial, e dizem por aí que antes de 1500 os tupis já colhiam arroz em solo brasileiro, onde o vegetal havia vegetado espontaneamente. Só aqui mesmo. Vegetal vegetado espontaneamente. O arroz se auto-planta, se auto-nasce e se auto- cresce até chegar na nossa mão. Viram como arroz é independente? É isso que eu almejo pra gente: independência. Outro que teve independência e muita responsabilidade em várias coisas boas e ruins foi D. João. Foi ele que introduziu o arroz na nossa alimentação através do exército durante a guerra de Canudos. De Guerra nem vou falar agora. Euclides da Cunha, Zé Celso, Evoé!
É isso meus caros, tô sem grana pra pegar mais quinze minutos e a história fica por aqui, não sem muito lamentar, porque adoro vocês, Cabral e D João e a família Sativa. Cada um com seu cada um e nós juntos trabalhando em equipe pela felicidade do arroz e do Brasil. Somos todos imperfeitos e isso é lindo. Beijo pra quem é de beijo, abraço pra quem é de abraço.
História do Macarrão
Atualização mais recente 2008-10-27 21:35:30 GMT. 4 comentários. Topo.
Ninguém sabe ao certo a verdadeira origem do macarrão. Essa é a verdade. Mas tem sempre muita verdade no mundo. Muitos povos afirmam que foram os inventores da deliciosa massa, mas seu surgimento é um grande mistério. Só pelo mistério já valeu. Vou contar a história do macarrão agora. Ele merece.
Parece que o macarrão começou a ser feito logo que o homem descobriu que era capaz de moer os cereais, misturar com água e obter uma pasta cozida ou assada. Mas o que ninguém diz é quando aconteceu essa descoberta e eu não tenho tempo pra ir fundo nisso. Se souber me diz, me escreve. A história está escrita, mas isso não quer dizer que você não pode reescrever. Tá na sua mão isso. De qualquer forma, parece que as primeiras massas semelhantes ao macarrão surgiram nas civilizações assíria e babilônica, por volta de 2500 a.C., ou seja o macarrão é muito velho, tem sua antiguidade e por isso é que tem essa capacidade maravilhosa de salvar. O macarrão é maduro.
Uma coisa mais parecida com o macarrão que a gente conhece hoje surgiu em Jerusalém, no século V. É Jerusalém fazendo história no macarrão. Eu sempre levei fé em Jerusalém. Jerusalém tem talento. Mas ainda não acabou, história é história, aquele peso, aquela competição e parece que a versão mais aceita, aquela da unanimidade geral da galera, é que foram os árabes os pais do macarrão. Ninguém imaginou isso, nem eu. E você que imaginou que era o Marco Polo também errou feio. Marco Polo é outra parada. Foram os árabes que inventaram o macarrão e levaram pra Sicília no Século IX. Da Sicília uns navegadores trataram de espalhar pra geral e aí é que chegou na Itália e depois aqui. Incrível essa história. Mas a Itália tem um peso grande. Foram eles que deram o toque final incorporando um ingrediente nobre, de pedigree: a farinha de grano duro, que permite o cozimento ideal da massa. E inventaram mais de 500 tipos, formatos, receitas, coisas incríveis, alegrias de macarrão. Só isso. Maravilha de italianos. Um abraço. Se salva. Respeita a Itália.
Paulo em outubro 20, 2008

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Rapeize, lembra que meu monitor tinha parado na curva do batman depois do livro de html e da cuca, quer dizer da coca? Então, fui salvo por Shaolin, Grande João Shaolin!
A história da coalhada…
Opa….
La vai uma história tão “intessante” mas que poucos tem conhecimento…..a história da coalhada!
Austrália é um país relativamente jovem, que recebeu esse nome por causa de seus descobridores….os austríacos! Quando la chegaram, se depararam com uma terra totalmente diferente da sua, clima tropical, aborígenes, animais desconhecidos, e frutas de qualidade questionáveis…
Para não arriscarem-se ao envenenamento resolveram confiar nas leis maternais! Encantados com uma espécie de de urso, ao qual denominaram “Coala”, resolveram ordenha-los….assim descobrindo a tão apreciada coalhada, tão famosa nas mesas do mundo inteiro! Culinária é cultura…..Obrigado pelo programa! Salvação dos solteiros famintos….
Essa história do Thiago é muito doida. Nunca tinha ouvido falar.Como é que descobriu isso Thiago? Pra mim essa sim era das arábias. A coalhada.
Essa aconteceu nos anos 70…Quando eu tinha 8 anos fui passar férias em uma fazenda no sul de Minas, e aí abateram um porco enorme. Eu vi o bicho cortado ao meio sobre uma mesa. O pior ainda estava por vir… Fizeram uma “iguaria” digna de comedores de olho de cabra: o tal do chouriço, que é o sangue do porco temperado, colocado nas tripas do falecido e frito, eu acho. Me deram vários pedacinhos prá eu comer. Estes pedacinhos passaram o dia escondidos no bolso do meu vestido e foram sendo jogados fora disfarçadamente ao longo do dia. Prá que essa merda? Com tanto porco lá, tinham que comer sangue e tripa? Me poupe…